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| Se
você está numa daquelas tardes a se perguntar - " Mas pra que tanto céu..."
, vá ao cinema assistir Bossa Nova, do Bruno Barreto.
Sente-se confortavelmente e, no lugar da pipoca, beba um uisquizinho com gelo que o clima pede. O filme começa com uma paisagem exuberante do Rio de Janeiro e o primeiro letreiro: "Este filme é dedicado a Antônio Carlos Jobim." Pronto. Relaxe e se prepare para um grande prazer: ouvir a música do mestre Jobim, tão bem embalada por Eumir Deodato, combinando espetacularmente com a paisagem do Rio. Aliás, nada combina mais com a paisagem do Rio do que a música do Tom. Por falar em Eumir Deodato, ele está primoroso nos arranjos e na execução da alguns clássicos do Maestro, como Corcovado, Inutil Paisagem, O Amor em Paz, e outras pérolas. Eumir sempre foi um grande aluno do Tom, tanto que ele fez os arranjos da trilha sonora dos filmes "Garota de Ipanema" e "Os Aventureiros", esta última gravada nos EUA. Além de dois grandes álbuns do Tom, como "Tide" e "Stone Flower" e o segundo disco com Sinatra, "Sinatra & Cia". |
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De uns tempos para cá, eu não estava gostando muito das coisas do Eumir, não. Ele estava americanizado demais pro meu gosto. Um disco dele, com o grande João Donato, ficou longe do que o João Donato merecia. Mas na trilha de Bossa Nova ele está soberbo! O solo de piano que o Eumir faz em "Se Todos Fossem Iguais à Você", e um trecho lento que ele arranja de "Chega de Saudade", valem o filme. Haverá de sair em breve o álbum da trilha sonora e aí a gente poderá voltar ao assunto. Mas, e o filme em si? Vale a pena? Claro que vale. É uma comédia romântica, cheia de situações que podem ser encaradas por muitos como verdadeiras bobagens. Mas, quem não gosta de viver essas bobagens pelo menos uma vez na vida? Quem não daria um caminhão de dinheiro pra sair dessa Internet agora e ir caminhar de mãos dadas com o seu grande amor num por de sol pela praia de Ipanema, tendo como ponto-de-fuga o morro dos Dois Irmãos? Vá ver o filme. E se você não quiser deixar se levar pelas imagens de cartão postal do Rio, que, aliás, estão presentes em todas as janelas do filme, inclusive a de um quarto de hospital, feche os olhos e ouça a grande música de Antonio Carlos Jobim e descubra, com prazer, que já houve uma época feliz em nossas vidas. Que bom que tanto Bruno Barreto como Eumir Deodato souberam captar esse momento e transformá-lo em eternidade. O resto é mar. |
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| Sérgio Lima é publicitário e colaborador do Clube do Tom. |