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Tom começou a frequentar os bares de Ipanema: Zepelin, Jangadeiro,
que se chamava Renânia, e o bar Lagoa, que era o Berlim. No bar Lagoa,
uma noite entrou um preto velho que se aproximou da mesa onde Tom estava
com os amigos, numa rodada de chopp. Era um vendedor de rosas. Sem hesitar,
dirigiu-se a ele. Tirou uma rosa vermelha da bandeja que carregava e lhe
ofereceu. Tom recusou delicadamente:
- Não posso. Não tenho dinheiro para rosas.
- O homem insistiu:
- Mas essa é especial. Dê para sua namorada. Como é
o nome dela ?
- Tom sorriu. Os amigos que o acompanhavam começaram a olhar o preto
velho com curiosidade. Apesar do insólito da situação,
respondeu:
- Thereza. Quem é o senhor ?...
- Seus olhos antigos, neblinados de azul, olhavam serenos para ele. Os cabelos
encaracolados eram brancos, a pele do rosto arredondado pura seda, veludo
escuro. Usava um smoking puído e gravata com pássaros azuis
pintados. Tom nunca esqueceu. A estranheza da figura e aqueles olhos clarividentes.
E também o que disse depois, apontando o copo de bebida:
- Seu lugar não é aqui. Sua vida é predestinada. Não
se perca.
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